Quem pensa em vender café da manhã no delivery chega em boa hora, porque o período foi o que mais cresceu no iFood em 2025, com alta de 26,1% nos pedidos, e o avanço chegou a 72,9% às segundas e 63,3% às terças, segundo levantamento da plataforma.
Os números foram divulgados pelo portal Mercado & Consumo em 27 de agosto de 2026 e comparam os pedidos de 2024 e 2025.
Para o dono de restaurante, lanchonete ou padaria, eles mostram um horário que antes quase não existia no aplicativo e que agora pede decisão de cardápio, margem e operação.
Café da manhã é o período que mais cresce no delivery
O café da manhã cresceu 26,1% no iFood em 2025, mais do que qualquer outro período do dia.
A comparação com os demais horários mostra a distância, porque o lanche da tarde subiu 15,4%, o almoço 12,2%, o jantar 8,6% e a madrugada 7,5%, o que coloca a refeição da manhã à frente de todas as faixas em que o restaurante costuma concentrar a operação.
| Período do dia | Variação dos pedidos no iFood em 2025 |
|---|---|
| Café da manhã | +26,1% |
| Lanche da tarde | +15,4% |
| Almoço | +12,2% |
| Jantar | +8,6% |
| Madrugada | +7,5% |
Lidos juntos, os números mostram que o cliente passou a abrir o aplicativo mais cedo.
Para quem pensa em vender café da manhã no delivery, o dado indica um horário em expansão, que merece ser conferido nos próprios relatórios antes de qualquer mudança de cardápio.
Por que segunda e terça puxam a alta dos pedidos matinais?
Os pedidos de café da manhã cresceram 72,9% às segundas e 63,3% às terças entre 2024 e 2025.
O levantamento descreve onde a alta se concentra sem apontar o motivo, então qualquer explicação para o começo da semana é hipótese de leitura, útil para orientar testes no restaurante, mas que precisa ser conferida nos pedidos de cada operação antes de virar decisão de escala ou de compra.
Uma hipótese é a rotina de trabalho do começo da semana, com menos tempo para preparar a refeição em casa. Outra é a volta do fim de semana com a despensa ainda por repor. Nenhuma das duas está medida no levantamento.
Na prática, o padrão semanal muda a escala e o estoque.
Um restaurante que decide testar o horário pode começar pelos dias de maior procura, reforçar equipe e insumos de segunda e terça e observar se o próprio movimento segue a mesma curva.
O que a perda de espaço do jantar indica sobre os pedidos ao longo do dia?
O jantar segue como a refeição mais pedida no iFood, mas caiu de 45,4% para 43,7% do total de pedidos em 2025.
A queda de participação acontece mesmo com o jantar crescendo 8,6% em volume, o que indica pedidos espalhados por mais horários do dia, leitura que interessa a quem ainda depende quase só da noite para faturar no aplicativo e quer reduzir essa concentração.
O hábito que sustenta a refeição da manhã já existe dentro de casa.
O Brasil consumiu 21,4 milhões de sacas de café e 4,82 kg de café torrado por habitante no ano encerrado em outubro de 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), volume 2,31% menor que o do período anterior.
Lidos juntos, os dois dados indicam que o café da manhã por delivery cresce sobre um consumo já estável no país. Para o restaurante, a disputa é por uma ocasião que o cliente já tem, o que coloca peso no cardápio e na qualidade da entrega.
O que um restaurante precisa decidir antes de vender café da manhã no delivery?
Antes de abrir o horário, o restaurante decide três pontos, que são cardápio, margem e operação da manhã.
Cada decisão depende das outras, porque um cardápio longo pede mais gente cedo na cozinha, mais gente aumenta o custo do turno e um custo maior exige um ticket médio, que é o valor gasto por pedido, capaz de pagar a abertura antecipada.
Cardápio enxuto pensado para a manhã
Para vender café da manhã no delivery sem complicar a cozinha, um cardápio curto é o ponto de partida mais seguro. Itens de preparo rápido, que aguentam o trajeto sem perder textura e temperatura, reduzem devoluções e notas baixas.
Copiar o cardápio do almoço para a manhã tende a pesar na cozinha sem atender ao que o cliente procura cedo. Embalagem conta tanto quanto a receita, já que bebida quente pede tampa firme e separação dos itens frios.
Conta de margem do horário novo
A margem da manhã precisa fechar sozinha, sem depender do resto do dia.
Itens de café da manhã tendem a ter valor unitário menor que um prato de almoço, e a taxa cobrada pela plataforma pesa mais sobre itens baratos.
Somam-se a isso energia, insumos perecíveis e o salário de quem abre mais cedo.
A conta prática é dividir o custo fixo do turno pelo lucro médio de cada pedido, o que dá o número mínimo de pedidos por manhã para empatar.
Operação da manhã
Abrir às 6h exige definir quem chega primeiro, quem prepara e quem acompanha os pedidos no aplicativo. As compras de insumos podem partir de um volume pequeno nas primeiras semanas, para não perder perecíveis enquanto a demanda se forma.
Horário e cardápio da manhã também precisam ser configurados separadamente na plataforma, para que o cliente não veja itens do almoço às 7h.
Dados de venda, cardápio e margem na leitura de quem atende restaurantes
Para quem atende restaurantes, o crescimento da manhã é motivo para olhar dados antes de abrir a cozinha mais cedo.
Vanfer Brito, fundador da GT Consultoria de Restaurantes, trabalha há mais de 15 anos no mercado de alimentação e acompanha donos de restaurantes em vendas, cardápio, margem e desempenho nas plataformas de delivery, com atuação a partir do Rio de Janeiro para todo o Brasil.
Brito avalia que o crescimento só vira venda com a conta feita antes. “Vender mais no delivery não depende só de promoção.
Quando um horário novo começa a crescer, o restaurante precisa olhar os dados de vendas, montar um cardápio pensado para aquele momento e conferir se a margem fecha antes de abrir a operação.”
O consultor também afirma que a manhã pede o mesmo padrão do resto do turno. “O resultado no delivery vem da combinação entre análise de dados, estrutura do cardápio, margem, experiência do cliente e execução da operação.
Abrir um horário novo pede o mesmo cuidado com atendimento, cozinha e entrega que o restante do dia.”
Lida ao lado do levantamento, a fala aponta uma ordem de decisão para quem quer vender café da manhã no delivery, primeiro os números de venda, depois o cardápio e, por fim, a conta de margem do turno.
Quais perfis de restaurante têm mais chance com o horário da manhã?
Padarias, lanchonetes e cozinhas que já operam cedo têm mais chance de fechar a conta do café da manhã por delivery.
Esses negócios já têm equipe, forno e insumos ativos no começo do dia, então o custo extra de atender o aplicativo é menor do que o de um restaurante de almoço executivo, que precisaria abrir a cozinha horas antes só para disputar pedidos de valor mais baixo.
Cozinha pequena e equipe enxuta são sinais de cautela. Nesses casos, vender café da manhã no delivery pode tirar fôlego do almoço, que muitas vezes sustenta o faturamento da casa.
A oportunidade não se limita ao Sudeste. Em Goiás, os pedidos feitos entre 6h e 10h cresceram mais de 42% em 2025, segundo reportagem do jornal O Hoje com dados do iFood. No levantamento nacional, o total de pedidos cresceu mais no Norte, com 19,4%, e no Centro-Oeste, com 16,3%, do que no Sudeste, com 8,5%.
Para o dono de restaurante fora do eixo Rio São Paulo, o dado regional é argumento para testar a manhã com base nos próprios pedidos, sem descartar o horário por estar longe dos grandes centros.
O que observar nos próprios números antes de abrir mais cedo
Os relatórios de pedidos por horário e por dia da semana mostram se já existe procura pela manhã no restaurante.
Quem já abre cedo para o balcão pode ligar o aplicativo nesse horário por algumas semanas, acompanhar volume, ticket médio e avaliações e decidir com números próprios se o café da manhã por delivery merece reforço de equipe, ajuste de cardápio ou encerramento.
- Pedidos por faixa de horário. Mostram se os pedidos antes das 10h já aparecem sem divulgação.
- Ticket médio da manhã. Indica se o valor por pedido cobre o custo do turno.
- Notas dos pedidos matinais. Apontam problemas de embalagem e de tempo de entrega cedo.
- Comparação entre dias da semana. Diz se segunda e terça repetem no restaurante o pico do levantamento.
Se os pedidos crescem e a margem fecha, o horário pode ganhar mais itens. Se a conta não fecha, a manhã volta ao balcão sem prejuízo para o resto do dia, e a decisão fica registrada nos próprios dados.

